Bike Fit Lab
Estúdio Bike Fit Lab com rolo Wahoo KICKR CORE e ecrã de simulação

Teste de lactato: zonas a sério

· 4 min de leitura

Treinas por sensações, ou por zonas calculadas a partir de uma percentagem da frequência cardíaca máxima ou de um teste de rampa feito há dois anos. Vais fazendo as saídas, e não tens a certeza de se o treino leve é mesmo leve, nem se o treino forte está no sítio certo. É esta dúvida que um teste de lactato ajuda a resolver.

O que é um teste de lactato

O lactato é uma substância que o corpo produz e remove continuamente durante o exercício. Em esforço leve, a produção e a remoção equilibram-se; à medida que a intensidade sobe, chega-se a pontos em que a concentração no sangue começa a aumentar de forma mais marcada. Num teste de lactato, o esforço sobe por patamares e, em cada um, recolhe-se uma pequena amostra de sangue, geralmente do dedo ou do lóbulo da orelha, em conjunto com a potência ou a frequência cardíaca.

A curva resultante mostra como o teu corpo responde a cada intensidade. A partir dela, o profissional identifica limiares e define zonas de treino ajustadas a ti. O protocolo exato e a forma de interpretar os resultados variam entre profissionais e entre métodos, e o responsável pelo teste explica o que usa.

O que te dá

Zonas baseadas em ti. Em vez de aplicares percentagens genéricas, treinas em intensidades que refletem a tua fisiologia atual. Duas pessoas com a mesma frequência cardíaca máxima podem ter limiares muito diferentes.

Uma referência de partida. Saber onde estás permite medir a evolução. Se repetires o teste depois de um bloco de treino, vês se a resposta mudou.

Menos treino no meio-termo. Um erro comum é fazer quase todas as saídas numa intensidade moderada: demasiado forte para recuperar, demasiado fraca para estimular. Zonas bem definidas ajudam a separar o que é leve do que é duro.

Informação para a competição. Para quem corre ou faz provas longas, conhecer a intensidade que consegues sustentar ajuda a planear o ritmo.

Curva de lactato e zonas de treino Gráfico esquemático: no eixo horizontal a potência em watts, no vertical o lactato em milimoles por litro. A curva sobe devagar, dobra no primeiro limiar (LT1) e dispara depois do segundo (LT2). Cinco zonas de treino: recuperação, resistência, tempo, limiar e VO2 máximo. Z1 Z2 Z3 Z4 Z5 LT1 LT2 Potência (W) Lactato (mmol/L) 1 4 8+
  1. Z1 Recuperação
  2. Z2 Resistência
  3. Z3 Tempo
  4. Z4 Limiar
  5. Z5 VO₂máx
O teste mede o lactato a cargas crescentes e encontra os dois limiares que separam as zonas. As tuas zonas saem dos teus valores, não de uma percentagem genérica. A curva é esquemática.

O que não dá

Um teste de lactato é uma fotografia do momento. Depende do teu estado no dia: fadiga, hidratação, alimentação, sono, calor. Por isso convém chegar descansado, com a alimentação habitual e sem treino duro nas 24 horas anteriores, e o fitter ou o profissional indica-te os cuidados concretos.

Também não é um plano de treino: dá o mapa, e o caminho constrói-se com o planeamento. E não promete resultados por si só. Quem faz o teste e continua a treinar sem estrutura continua sem estrutura, só que com melhor informação.

Para quem faz sentido

  • Quem treina com regularidade e quer treinar com objetivos.
  • Quem se prepara para provas, sobretudo de resistência.
  • Quem sente que estagnou, apesar de treinar bastante.
  • Quem usa potenciómetro ou monitor de frequência cardíaca e quer dar-lhes um contexto fiável.
  • Quem retoma o treino depois de uma pausa e quer recomeçar com zonas atualizadas.

Se pedalas só por lazer e sem objetivos de desempenho, provavelmente não precisas. E isso é uma boa resposta.

Como se liga ao resto do que fazemos

Na Bike Fit Lab, a avaliação física com lactato custa 40 €, e faz parte da área de performance, onde também existe planeamento de treino mensal, nutrição desportiva e psicologia desportiva. Podes fazer o teste isoladamente ou integrá-lo com o resto.

A relação com o bike fit é prática. Uma posição que te permite pedalar com estabilidade e conforto durante horas é a base para treinar sem desconforto, e as zonas só são úteis se conseguires cumpri-las sem a bicicleta atrapalhar. Por isso, quem quer treinar a sério muitas vezes combina as duas coisas: primeiro a posição, depois as zonas. O artigo sobre o que é um bike fit explica a sessão, e a tua posição não precisa de estar perfeita para fazeres o teste.

Como te preparares

  • Leva a bicicleta que usas habitualmente, ou indica-nos o que preferes usar, e confirma com antecedência o que é necessário.
  • Come como costumas comer antes de uma saída longa, a menos que te digam o contrário.
  • Evita treinos duros no dia anterior.
  • Leva dados recentes, como saídas gravadas, se os tiveres, e diz-nos o teu objetivo.

Se queres treinar com zonas que sejam tuas, podes ver os valores na tabela de preços ou marcar uma avaliação e explicar-nos o teu objetivo. Começamos pelo que pretendes, e o resto ajusta-se.

Mais artigos

Ver todos os artigos

Estúdio Bike Fit Lab com rolo Wahoo KICKR CORE e ecrã de simulação
Fitter a ajustar o cleat com chave Allen, num sapato de ciclismo branco
Câmara 3D de análise de posição montada num tripé
Estúdio Bike Fit Lab com bicicleta de estrada no rolo KICKR, sobre tapete preto