Bike Fit Lab

Onde dói quando pedalas?

Escolhe a zona. Para cada uma: como se costuma descrever, as causas de posição mais frequentes, o que o fitter ajusta e os sinais que pedem um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

A ligação entre posição e dor vem sobretudo da prática clínica e dos manuais de bike fit; os estudos controlados são poucos e as revisões recentes dizem-no sem rodeios. Por isso lês aqui "costuma" e "muitas vezes", não "é". Fontes: 4, 45, 46

Ciclista de perfil com as zonas onde o desconforto costuma aparecer Silhueta de um ciclista de estrada visto de lado, com capacete, tronco a 40 graus e mãos nos hoods. Quadrados numerados (1, 2, 5, 6, 8, 10, 11, 12, 13, 16, 20) apontam para o joelho à frente e atrás, a anca, a lombar, o pescoço, o cotovelo, o punho, a mão, o períneo, a planta do pé e o pé em ponta. A lista por baixo explica cada número. 12568101112131620 Silhueta de frente: joelhos e canela Silhueta anatómica de uma pessoa de pé, vista de frente. Quadrados numerados (3, 4, 19) apontam para o lado de fora e o lado de dentro do joelho e para a canela. 3419 Silhueta de costas: ombros, cóccix, selim e gémeos Silhueta anatómica de uma pessoa de pé, vista de costas. Quadrados numerados (7, 9, 14, 15, 17, 18) apontam para a zona entre as omoplatas, os trapézios, a pele na zona do selim, o cóccix, os gémeos e o tendão de Aquiles. 7914151718
  1. Joelho

    Joelho, à frente

    Dor à volta ou por baixo da rótula, pior a subir ou a empurrar mudanças pesadas. Ver a ficha

  2. Joelho, atrás

    Dor ou repuxar na prega atrás do joelho, sobretudo no fim de treinos longos. Ver a ficha

  3. Joelho, lado de fora

    Ardor na parte de fora do joelho, sempre à mesma altura do treino, que piora até teres de parar. Ver a ficha

  4. Joelho, lado de dentro

    Dor na parte de dentro do joelho, um pouco abaixo da articulação, muitas vezes depois de passares a pedais de encaixe. Ver a ficha

  5. Anca

    Anca, virilha e glúteo

    Dor funda à frente da anca ao puxar o joelho para cima, ou dor profunda na nádega, às vezes com formigueiro pela perna. Ver a ficha

  6. Costas

    Lombar

    Dor difusa em baixo nas costas que aparece ao fim de 1–2 h e te obriga a endireitar; alivia quando sais da bicicleta. Ver a ficha

  7. Entre as omoplatas

    Ardor ou um nó entre as omoplatas; sentes que estás pendurado no guiador. Ver a ficha

  8. Pescoço e ombros

    Pescoço e nuca

    Rigidez na nuca e na base do crânio, dor de cabeça no fim do treino, pior quando o capacete ou os óculos escorregam. Ver a ficha

  9. Ombros e trapézios

    Trapézios em pedra, ombros a subir para as orelhas. Ver a ficha

  10. Braços e mãos

    Cotovelos

    Dor na parte de fora ou de dentro do cotovelo a segurar o guiador; braços cansados. Ver a ficha

  11. Mãos dormentes

    Mindinho e anelar dormentes e mão fraca a mudar de mudança; ou polegar, indicador e médio a formigar, pior de noite. Ver a ficha

  12. Punhos

    Dor no punho, do lado do polegar ou do mindinho, a segurar as manetes; pior nas descidas. Ver a ficha

  13. Selim

    Períneo e dormência genital

    Ficas dormente lá em baixo ao fim de 30–40 min e tens de te levantar; ou pressão e ardor à frente, inchaço de um lado. Ver a ficha

  14. Pele: assaduras e feridas de selim

    Borbulhas ou furúnculos na zona de contacto, pele em carne viva nas coxas, um caroço duro de um lado. Ver a ficha

  15. Cóccix

    Dor no osso do fundo das costas quando te sentas no selim, e depois também na cadeira. Ver a ficha

  16. Pés e pernas

    Planta do pé a arder ou dormente

    Queimadura ou formigueiro na planta do pé ao fim de 1 h, pior com calor; tens de desapertar o sapato. Ver a ficha

  17. Tendão de Aquiles

    Rigidez e dor acima do calcanhar, pior de manhã e no início do treino. Ver a ficha

  18. Gémeos e cãibras

    Cãibras nos gémeos ou isquiotibiais a três quartos do treino ou numa subida; gémeos muito carregados. Ver a ficha

  19. Canela

    Dor ou ardor na frente da canela, sobretudo a puxar o pedal para cima ou em sprints. Ver a ficha

  20. Pé em ponta, dedos a agarrar

    Sentes o pé sempre em ponta à procura do pedal, ou os dedos encolhem-se dentro do sapato. Ver a ficha

Os números seguem os grupos: joelho, anca, costas, pescoço e ombros, braços e mãos, selim, pés e pernas. Toca num número ou numa linha da lista para destacar a região; a ficha completa está mais abaixo. Silhuetas de frente e de costas adaptadas de Christophe Dang Ngoc Chan, Wikimedia Commons (CC0, domínio público); ciclista desenhado pelo estúdio.

Região a região

Para cada zona: como costuma aparecer, o que na posição costuma estar por trás (por ordem de frequência), o que o fitter costuma ajustar e os sinais que já não são bike fit. As causas marcadas "(prática)" vêm da experiência dos fitters, sem estudos controlados.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

1Joelho, à frenteJoelho

Dor à volta ou por baixo da rótula, pior a subir ou a empurrar mudanças pesadas.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Selim demasiado baixo: o joelho dobra mais e a rótula comprime-se contra o fémur.
  2. Selim demasiado à frente, com o joelho muito adiantado em relação ao eixo do pedal.
  3. Manivela comprida para a tua perna: mais flexão no topo de cada pedalada.
  4. Cadência baixa, mudanças pesadas ou um aumento súbito do volume de treino.
  5. Joelho a cair para dentro por pé em pronação ou antepé sem correção (prática).

O que o fitter costuma ajustar

  • Subir o selim em passos de 2–5 mm, medindo o joelho a pedalar
  • Recuar o selim
  • Cunhas ou palmilha de suporte do arco
  • Manivela mais curta
  • Rever a cadência

Quando não é bike fit

Inchaço, joelho que bloqueia ou falha, dor em repouso ou de noite, crepitação dolorosa ou trauma recente: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Dor no joelho a pedalar Fontes: 1, 3, 4, 5, 25, 38, 39, 45

2Joelho, atrásJoelho

Dor ou repuxar na prega atrás do joelho, sobretudo no fim de treinos longos.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Selim demasiado alto: o joelho estica de mais em baixo e os isquiotibiais trabalham alongados.
  2. Selim demasiado recuado, com o mesmo efeito de alongar a parte de trás da perna.
  3. Cleats muito à frente no sapato: alavanca maior e pé a pontear (prática).
  4. Uma perna mais comprida do que a outra, quando a queixa é só de um lado.

O que o fitter costuma ajustar

  • Baixar o selim, muitas vezes 5–10 mm
  • Avançar ligeiramente o selim
  • Recuar os cleats
  • Avaliar a diferença de comprimento das pernas

Quando não é bike fit

Inchaço visível atrás do joelho, estalo súbito nos isquiotibiais ou sensação de instabilidade: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Altura do selim: a fórmula não chega Fontes: 3, 4, 5, 6, 21, 36

3Joelho, lado de foraJoelho

Ardor na parte de fora do joelho, sempre à mesma altura do treino, que piora até teres de parar.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Selim demasiado alto: perto da extensão total, a banda iliotibial roça no osso do joelho.
  2. Cleats rodados com o calcanhar para dentro, ou com pouca liberdade de rotação (float).
  3. Pés demasiado juntos para a tua anatomia: largura de apoio estreita (prática).
  4. Joelho a cair para dentro por pé em pronação ou antepé varo.
  5. Perna mais comprida de um lado.

O que o fitter costuma ajustar

  • Baixar o selim
  • Rodar os cleats (calcanhar para fora) e aumentar o float
  • Afastar o pé do pedaleiro: cleat para dentro ou espaçador no eixo
  • Cunhas ou calço (shim)

Quando não é bike fit

Dor que continua em repouso e a andar, inchaço ou joelho que bloqueia: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Cleats: a posição muda tudo Fontes: 3, 5, 6, 27, 33, 36, 38

4Joelho, lado de dentroJoelho

Dor na parte de dentro do joelho, um pouco abaixo da articulação, muitas vezes depois de passares a pedais de encaixe.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Cleats rodados com o calcanhar para fora: o pé fica demasiado rodado para dentro.
  2. Float insuficiente ou cleats fixos, que não deixam o pé rodar.
  3. Pés demasiado afastados, ou joelho a abrir no topo da pedalada.
  4. Selim muito alto, com o joelho a desviar para dentro para chegar ao pedal (prática).

O que o fitter costuma ajustar

  • Rodar os cleats (calcanhar para dentro)
  • Cleats com mais float
  • Ajustar a largura de apoio
  • Rever a altura do selim

Quando não é bike fit

Dor depois de uma torção ou queda, instabilidade, inchaço ou dor em repouso: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Cleats: a posição muda tudo Fontes: 3, 36, 39

5Anca, virilha e glúteoAnca

Dor funda à frente da anca ao puxar o joelho para cima, ou dor profunda na nádega, às vezes com formigueiro pela perna.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Anca a dobrar de mais no topo: selim baixo ou recuado, manivela comprida, guiador baixo e longo.
  2. Anatomia da anca que não tolera a flexão que a posição exige (conflito femoroacetabular).
  3. Uma perna mais comprida: essa anca dobra mais no topo.
  4. Selim demasiado estreito ou largo, ou bacia a balançar, a sobrecarregar glúteo e piriforme (prática).
  5. Mobilidade da anca reduzida, frequente depois dos 50 (prática).

O que o fitter costuma ajustar

  • Subir ou avançar o selim
  • Manivelas mais curtas (passar de 172,5 para 165 mm reduz a flexão no topo)
  • Subir e encurtar o guiador
  • Cleats e solas mais finas
  • Calço na perna mais curta

Quando não é bike fit

Virilha com clique ou bloqueio, pouca rotação interna da anca, dor noturna, ou dor que desce abaixo do joelho com perda de força: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Dor na anca a pedalar: causas e ajustes Fontes: 21, 23, 25, 26

6LombarCostas

Dor difusa em baixo nas costas que aparece ao fim de 1–2 h e te obriga a endireitar; alivia quando sais da bicicleta.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Guiador demasiado baixo: a lombar dobra mais e os músculos das costas cansam-se.
  2. Alcance demasiado longo ao guiador, sobretudo combinado com um desnível grande.
  3. Selim com o bico para cima, recuado ou alto de mais: a bacia senta-se ou balança.
  4. Diferença de comprimento das pernas, quando a dor é só de um lado.
  5. Pouca resistência dos músculos lombares: não é posição, mas limita o que a posição tolera.

O que o fitter costuma ajustar

  • Subir o guiador e/ou encurtar o avanço
  • Inclinar o bico do selim 1–3° para baixo
  • Recuar ou baixar o selim, conforme o caso
  • Corrigir assimetrias
  • Encaminhar para fisioterapia ou treino de força quando o problema é a tolerância

Quando não é bike fit

Dor que desce abaixo do joelho, dormência ou perda de força na perna, alterações urinárias, dor noturna, febre ou dor nova depois dos 50: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Fontes: 1, 18, 19, 21, 23, 43

7Entre as omoplatasCostas

Ardor ou um nó entre as omoplatas; sentes que estás pendurado no guiador.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Alcance demasiado longo, com os ombros projetados para a frente e os braços esticados.
  2. Guiador mais largo do que os teus ombros: os músculos entre as omoplatas trabalham abertos.
  3. Demasiado peso nas mãos por selim com o bico para baixo ou muito avançado (prática).
  4. Cotovelos bloqueados em extensão, sem amortecer (prática).

O que o fitter costuma ajustar

  • Encurtar o avanço
  • Guiador mais estreito (a IBFI aponta 36–38 cm para a maioria)
  • Nivelar o selim
  • Pedalar com os cotovelos ligeiramente fletidos

Quando não é bike fit

Dor no peito com o esforço ou a irradiar para o braço ou maxilar é uma urgência; dor que te acorda de noite ou depois de uma queda: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Guiador, selim e manivelas: as medidas Fontes: 7, 18, 21, 32, 36

8Pescoço e nucaPescoço e ombros

Rigidez na nuca e na base do crânio, dor de cabeça no fim do treino, pior quando o capacete ou os óculos escorregam.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Guiador demasiado baixo: levantas mais a cabeça e a parte alta do pescoço fica em extensão.
  2. Alcance longo, que estica os trapézios e obriga à mesma extensão.
  3. Ombros encolhidos por guiador alto de mais ou manetes rodadas para cima (prática).
  4. Capacete ou óculos que te obrigam a levantar mais a cabeça para ver a estrada.
  5. Extensões de triatlo demasiado baixas.

O que o fitter costuma ajustar

  • Subir o guiador (espaçadores ou avanço com ângulo)
  • Encurtar o avanço
  • Rodar as manetes
  • Rever a posição nas extensões

Quando não é bike fit

Dormência ou fraqueza nos braços, tonturas, dor depois de uma queda ou uma dor de cabeça súbita e muito forte: procura um médico, com urgência no último caso.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Stack e reach: o tamanho não chega Fontes: 7, 18, 20, 23, 36

9Ombros e trapéziosPescoço e ombros

Trapézios em pedra, ombros a subir para as orelhas.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Guiador demasiado largo ou demasiado estreito para a tua estrutura.
  2. Alcance longo, que projeta os ombros para a frente.
  3. Excesso de peso à frente: selim baixo, avançado ou com o bico demasiado para baixo.
  4. Manetes rodadas para baixo em excesso: o punho dobra e o ombro compensa (prática).

O que o fitter costuma ajustar

  • Largura do guiador
  • Comprimento do avanço
  • Inclinação do selim
  • Posição das manetes

Quando não é bike fit

Dor com perda de amplitude ou de força no ombro, dor noturna ou dor depois de uma queda: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Guiador, selim e manivelas: as medidas Fontes: 18, 21, 32

10CotovelosBraços e mãos

Dor na parte de fora ou de dentro do cotovelo a segurar o guiador; braços cansados.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Cotovelos travados em extensão total por alcance ou desnível excessivos: o impacto passa direto (prática).
  2. Demasiado peso na frente da bicicleta.
  3. Punhos em hiperextensão por manetes mal orientadas, a sobrecarregar os extensores do antebraço (prática).
  4. No BTT, guiador muito largo ou manetes e punhos mal angulados.

O que o fitter costuma ajustar

  • Encurtar o alcance
  • Subir o guiador
  • Rodar as manetes
  • Largura do guiador
  • No BTT, pressão dos pneus e suspensão

Quando não é bike fit

Inchaço, cotovelo que bloqueia ou dor depois de uma queda: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Fontes: 21, 36

11Mãos dormentesBraços e mãos

Mindinho e anelar dormentes e mão fraca a mudar de mudança; ou polegar, indicador e médio a formigar, pior de noite.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Demasiado peso nas mãos por alcance ou desnível excessivos, ou selim com o bico para baixo.
  2. Punho em hiperextensão sobre as manetes: comprime o nervo cubital (mindinho e anelar).
  3. Apoio prolongado na base da palma: comprime o nervo mediano (polegar, indicador e médio).
  4. Não mudar de pega; luvas ou fita sem amortecimento.
  5. No BTT, vibração e alavancas de travão mal posicionadas.

O que o fitter costuma ajustar

  • Redistribuir o peso: subir o guiador, encurtar o avanço, nivelar ou recuar o selim
  • Rodar as manetes para o punho ficar neutro
  • Guiador com menos alcance
  • Fita dupla ou luvas com gel
  • Variar as pegas

Quando não é bike fit

Dormência que não passa nas horas seguintes ao treino, fraqueza ou perda de massa muscular na mão, sintomas noturnos persistentes ou nos dois lados com dor no pescoço: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Dormência nas mãos e no selim Fontes: 9, 10, 23, 36

12PunhosBraços e mãos

Dor no punho, do lado do polegar ou do mindinho, a segurar as manetes; pior nas descidas.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Manetes rodadas para baixo: o punho fica em extensão e desviado para o lado do mindinho (prática).
  2. Guiador largo, que desvia o punho para o lado do polegar.
  3. Peso excessivo na frente.
  4. No BTT, guiador plano demasiado largo, com curvatura inadequada ou alavancas de travão altas.

O que o fitter costuma ajustar

  • Rotação das manetes
  • Largura e forma do guiador
  • Posição das alavancas (BTT)
  • Alcance

Quando não é bike fit

Dor depois de uma queda (uma fratura do escafoide passa facilmente despercebida), inchaço ou dor em repouso: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Fontes: 21, 32, 36

13Períneo e dormência genitalSelim

Ficas dormente lá em baixo ao fim de 30–40 min e tens de te levantar; ou pressão e ardor à frente, inchaço de um lado.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Selim com o bico para cima, ou bacia a rodar para a frente num selim plano e estreito.
  2. Guiador muito abaixo do selim: em mulheres associa-se a mais pressão perineal e menos sensibilidade.
  3. Selim demasiado estreito, ou sem canal ou recorte para a tua anatomia.
  4. Selim demasiado alto, com a bacia a bascular à procura do apoio (prática).
  5. Calções ou forra inadequados.

O que o fitter costuma ajustar

  • Nivelar o selim ou inclinar o bico 1–3° para baixo
  • Subir o guiador
  • Escolher a largura pelo mapeamento de pressão e pela distância entre ísquios
  • Selim com recorte ou canal
  • Rever altura e recuo

Quando não é bike fit

Dormência que dura mais de 24 h, disfunção erétil persistente, sangue na urina, inchaço vulvar de um lado que não passa ou feridas que não cicatrizam: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Mapeamento de pressão do selim Fontes: 11, 12, 13, 14, 15, 29, 30

14Pele: assaduras e feridas de selimSelim

Borbulhas ou furúnculos na zona de contacto, pele em carne viva nas coxas, um caroço duro de um lado.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Fricção, pressão e humidade juntas: a combinação que qualquer revisão aponta.
  2. Selim demasiado alto: a bacia balança e a pele roça de lado (prática).
  3. Selim demasiado largo ou com flancos largos, que roçam nas coxas (prática).
  4. Calções gastos ou forra mal posicionada.

O que o fitter costuma ajustar

  • Altura e nivelamento do selim
  • Largura e forma do selim (flancos)
  • Posição da bacia
  • Calções, creme anti-fricção e higiene; encaminhar quando é infeção

Quando não é bike fit

Abcesso quente e doloroso, febre, ferida que não cicatriza em duas semanas ou nódulo a crescer: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Largura do selim: como escolher Fontes: 16, 17, 21

15CóccixSelim

Dor no osso do fundo das costas quando te sentas no selim, e depois também na cadeira.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Bacia inclinada para trás num selim largo e almofadado, onde o cóccix afunda e toca.
  2. Selim com a traseira elevada ou curva e o bico para cima (prática).
  3. Selim baixo com guiador muito alto: postura muito vertical, típica de e-bike ou urbana (prática).
  4. Queda anterior sobre o cóccix: isto já não é bike fit.

O que o fitter costuma ajustar

  • Selim mais plano e menos almofadado (parece contraintuitivo)
  • Inclinar ligeiramente o selim para a frente
  • Baixar um pouco o guiador para passar peso para os ísquios
  • Rever a altura

Quando não é bike fit

Dor depois de uma queda, dor em repouso que piora, ou alterações intestinais ou urinárias: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Mapeamento de pressão do selim Fontes: 35

16Planta do pé a arder ou dormentePés e pernas

Queimadura ou formigueiro na planta do pé ao fim de 1 h, pior com calor; tens de desapertar o sapato.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Cleats demasiado à frente: toda a força concentra-se nas cabeças dos metatarsos.
  2. Sapato estreito ou fivelas muito apertadas sobre o dorso: o pé incha durante o treino.
  3. Pedal ou cleat com plataforma pequena e sola mole.
  4. Sem suporte do arco e do antepé, o arco cede e comprime os nervos entre os dedos.
  5. Selim muito alto, com o pé a pontear e a carga no antepé (prática).

O que o fitter costuma ajustar

  • Recuar os cleats 3–5 mm (ou mais, com placas de recuo)
  • Sapato mais largo
  • Afrouxar a fivela da frente
  • Palmilha com apoio metatársico
  • Cunhas se houver antepé varo ou valgo

Quando não é bike fit

Dormência que persiste fora da bicicleta, dor noturna, estalido doloroso entre os dedos, ou diabetes com perda de sensibilidade: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Cleats: a posição muda tudo Fontes: 27, 28, 34, 36, 37

17Tendão de AquilesPés e pernas

Rigidez e dor acima do calcanhar, pior de manhã e no início do treino.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Selim demasiado alto: o pé fica sempre em ponta e os gémeos nunca relaxam.
  2. Cleats demasiado à frente: alavanca longa sobre o tornozelo.
  3. Float excessivo ou cleats gastos e soltos, com o tornozelo a estabilizar (prática).
  4. Aumento súbito de carga, subidas em pé ou corrida associada (triatletas).

O que o fitter costuma ajustar

  • Baixar o selim
  • Recuar os cleats
  • Reduzir o float ou substituir cleats gastos
  • Rever a técnica do tornozelo

Quando não é bike fit

Estalo com perda de força para pôr o pé em ponta, inchaço em fuso, dor em repouso ou toma recente de certos antibióticos (fluoroquinolonas): procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Altura do selim: a fórmula não chega Fontes: 4, 36, 40

18Gémeos e cãibrasPés e pernas

Cãibras nos gémeos ou isquiotibiais a três quartos do treino ou numa subida; gémeos muito carregados.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Fadiga neuromuscular: a hipótese dominante para cãibras no exercício, mais do que desidratação ou sais.
  2. Selim demasiado alto: os gémeos trabalham alongados e em ponta (prática).
  3. Cleats demasiado à frente: mais trabalho para os gémeos (prática).
  4. Treino acima do habitual em intensidade ou duração.

O que o fitter costuma ajustar

  • Baixar o selim
  • Recuar os cleats
  • O resto é treino e ritmo

Quando não é bike fit

Cãibras frequentes em repouso ou de noite, fraqueza, ou gémeo inchado, dorido e quente de um só lado (suspeita de trombose, urgência): procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Fontes: 4, 24, 36

19CanelaPés e pernas

Dor ou ardor na frente da canela, sobretudo a puxar o pedal para cima ou em sprints.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Puxar demasiado na fase de subida do pedal, frequente no rolo e com cadência alta (prática).
  2. Selim demasiado baixo: o pé fica com o calcanhar para baixo no fundo da pedalada (prática).
  3. Fivela ou atacador muito apertado sobre o músculo da frente da canela (prática).
  4. Sapatos novos com sola mais rígida (prática).

O que o fitter costuma ajustar

  • Subir o selim
  • Rever a técnica (puxar menos)
  • Fecho do sapato
  • Cleat ligeiramente mais atrás

Quando não é bike fit

Dor que aumenta e não alivia com repouso, formigueiro ou pé que cai, canela quente e tensa depois do esforço, ou dor óssea localizada: procura um médico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Fontes: 36, 37

20Pé em ponta, dedos a agarrarPés e pernas

Sentes o pé sempre em ponta à procura do pedal, ou os dedos encolhem-se dentro do sapato.

O que na posição costuma estar por trás

  1. Selim demasiado alto: esticas o tornozelo para chegar ao pedal e a bacia balança.
  2. Uma perna mais curta: só essa é que pontea.
  3. Sapato grande ou folga no calcanhar: os dedos agarram para segurar (prática).
  4. Cleats muito à frente.

O que o fitter costuma ajustar

  • Baixar o selim
  • Calço (shim) na perna mais curta
  • Sapato do tamanho certo
  • Recuar os cleats

Quando não é bike fit

Fraqueza real para levantar o pé (pé pendente) ou dormência associada: procura um médico, pode ser neurológico.

Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.

Ler: Altura do selim: a fórmula não chega Fontes: 4, 21, 33

Erro de posição e onde costuma doer

A tabela inverte o mapa: parte do erro de posição e diz onde ele costuma aparecer. Serve para orientar, não para concluir. Uma dor só de um lado, seja onde for, faz pensar primeiro em assimetria.

Erro de posiçãoOnde costuma doer
Selim alto joelho, atrás, lado de fora do joelho, Aquiles, períneo (bacia a balançar), lombar, pé em ponta
Selim baixo joelho, à frente, anca (dobra de mais), canela, cóccix (postura vertical)
Selim avançado joelho, à frente, mãos, ombros (peso à frente)
Selim recuado joelho, atrás, anca, lombar
Bico do selim para cima períneo e dormência genital, lombar
Bico para baixo em excesso mãos, punhos, ombros e trapézios
Guiador baixo ou longo pescoço, lombar, mãos, períneo (mulheres), entre as omoplatas
Guiador largo ombros e trapézios, punhos, cotovelos
Cleats à frente planta do pé, Aquiles, gémeos, joelho, atrás
Cleats rodados, calcanhar para dentro lado de fora do joelho
Cleats rodados, calcanhar para fora lado de dentro do joelho
Pernas de comprimento diferente qualquer dor só de um lado: joelho, anca, lombar ou selim

O que a sessão faz com isto

Uma queixa é o ponto de partida do Bike Fit, não a conclusão. A sessão mede antes de mexer e volta a medir depois.

Marcar Bike Fit

Estúdio Bike Fit Lab com rolo Wahoo KICKR CORE e ecrã de simulação
  1. Ecrã de simulação Mostra o percurso e os dados enquanto pedalas. Olhar em frente, como na estrada, ajuda a manter a posição natural.
  2. Câmara 3D de frente Montada por baixo do ecrã, vê o movimento dos joelhos de frente. É assim que se avalia se sobem e descem a direito.
  3. Rolo KICKR CORE Rolo de transmissão direta: a roda de trás sai e a bicicleta encaixa aqui. Mede a potência durante toda a sessão.
  4. Mesa de apoio Fica ao lado do rolo, para ver e registar os dados sem saíres da bicicleta.
  5. Palmilhas, cunhas e cleats O que costuma ser preciso trocar durante a sessão está à mão: palmilhas, cunhas e cleats de vários sistemas.
Vista de frente, do lado da roda. O ecrã fica à altura dos olhos e a câmara por baixo.
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    Avaliação

    A sessão começa por ouvir: onde dói, desde quando, em que momento do treino, de que lado. Depois mede-se o que não se vê a olho: mobilidade da anca e dos tornozelos, diferença de comprimento das pernas, apoio dos pés, distância entre ísquios. Só então se olha para a bicicleta.

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    Ajustes

    Com a análise 3D a pedalar, os ângulos do joelho, da anca e do tronco medem-se em movimento, não com uma fórmula. Cada ajuste (altura e recuo do selim, cleats, largura do guiador, avanço) é feito um de cada vez e medido outra vez. O mapeamento de pressão do selim entra quando a queixa é no selim ou no períneo.

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    Reavaliação

    Dor que vem de posição costuma mudar em poucas saídas. Por isso a sessão inclui acompanhamento: comparas as sensações com o que ficou registado na ficha e, se for preciso, afina-se. Quando a dor não muda com a posição, dizemos-te isso com clareza e encaminhamos para quem trata.

Fontes

Numeração do documento de investigação interno; só aparecem as fontes citadas nesta página. Livros e artigos sem versão em linha estão sem ligação.

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