Escolhe a zona. Para cada uma: como se costuma descrever, as causas de posição mais frequentes, o que o fitter ajusta e os sinais que pedem um médico.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
A ligação entre posição e dor vem sobretudo da prática clínica e dos manuais de bike fit; os estudos controlados são poucos e as revisões recentes dizem-no sem rodeios. Por isso lês aqui "costuma" e "muitas vezes", não "é". Fontes: 4, 45, 46
Joelho
Joelho, à frente
Dor à volta ou por baixo da rótula, pior a subir ou a empurrar mudanças pesadas. Ver a ficha
Joelho, atrás
Dor ou repuxar na prega atrás do joelho, sobretudo no fim de treinos longos. Ver a ficha
Joelho, lado de fora
Ardor na parte de fora do joelho, sempre à mesma altura do treino, que piora até teres de parar. Ver a ficha
Joelho, lado de dentro
Dor na parte de dentro do joelho, um pouco abaixo da articulação, muitas vezes depois de passares a pedais de encaixe. Ver a ficha
Anca
Anca, virilha e glúteo
Dor funda à frente da anca ao puxar o joelho para cima, ou dor profunda na nádega, às vezes com formigueiro pela perna. Ver a ficha
Costas
Lombar
Dor difusa em baixo nas costas que aparece ao fim de 1–2 h e te obriga a endireitar; alivia quando sais da bicicleta. Ver a ficha
Entre as omoplatas
Ardor ou um nó entre as omoplatas; sentes que estás pendurado no guiador. Ver a ficha
Pescoço e ombros
Pescoço e nuca
Rigidez na nuca e na base do crânio, dor de cabeça no fim do treino, pior quando o capacete ou os óculos escorregam. Ver a ficha
Ombros e trapézios
Trapézios em pedra, ombros a subir para as orelhas. Ver a ficha
Braços e mãos
Cotovelos
Dor na parte de fora ou de dentro do cotovelo a segurar o guiador; braços cansados. Ver a ficha
Mãos dormentes
Mindinho e anelar dormentes e mão fraca a mudar de mudança; ou polegar, indicador e médio a formigar, pior de noite. Ver a ficha
Punhos
Dor no punho, do lado do polegar ou do mindinho, a segurar as manetes; pior nas descidas. Ver a ficha
Selim
Períneo e dormência genital
Ficas dormente lá em baixo ao fim de 30–40 min e tens de te levantar; ou pressão e ardor à frente, inchaço de um lado. Ver a ficha
Pele: assaduras e feridas de selim
Borbulhas ou furúnculos na zona de contacto, pele em carne viva nas coxas, um caroço duro de um lado. Ver a ficha
Cóccix
Dor no osso do fundo das costas quando te sentas no selim, e depois também na cadeira. Ver a ficha
Pés e pernas
Planta do pé a arder ou dormente
Queimadura ou formigueiro na planta do pé ao fim de 1 h, pior com calor; tens de desapertar o sapato. Ver a ficha
Tendão de Aquiles
Rigidez e dor acima do calcanhar, pior de manhã e no início do treino. Ver a ficha
Gémeos e cãibras
Cãibras nos gémeos ou isquiotibiais a três quartos do treino ou numa subida; gémeos muito carregados. Ver a ficha
Canela
Dor ou ardor na frente da canela, sobretudo a puxar o pedal para cima ou em sprints. Ver a ficha
Pé em ponta, dedos a agarrar
Sentes o pé sempre em ponta à procura do pedal, ou os dedos encolhem-se dentro do sapato. Ver a ficha
Os números seguem os grupos: joelho, anca, costas, pescoço e ombros, braços e mãos, selim, pés e pernas. Toca num número ou numa linha da lista para destacar a região; a ficha completa está mais abaixo. Silhuetas de frente e de costas adaptadas de Christophe Dang Ngoc Chan, Wikimedia Commons (CC0, domínio público); ciclista desenhado pelo estúdio.
O estúdio
4 fotografias
Região a região
Para cada zona: como costuma aparecer, o que na posição costuma estar por trás (por ordem de frequência), o que o fitter costuma ajustar e os sinais que já não são bike fit. As causas marcadas "(prática)" vêm da experiência dos fitters, sem estudos controlados.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
1Joelho, à frenteJoelho
Dor à volta ou por baixo da rótula, pior a subir ou a empurrar mudanças pesadas.
O que na posição costuma estar por trás
Selim demasiado baixo: o joelho dobra mais e a rótula comprime-se contra o fémur.
Selim demasiado à frente, com o joelho muito adiantado em relação ao eixo do pedal.
Manivela comprida para a tua perna: mais flexão no topo de cada pedalada.
Cadência baixa, mudanças pesadas ou um aumento súbito do volume de treino.
Joelho a cair para dentro por pé em pronação ou antepé sem correção (prática).
O que o fitter costuma ajustar
Subir o selim em passos de 2–5 mm, medindo o joelho a pedalar
Recuar o selim
Cunhas ou palmilha de suporte do arco
Manivela mais curta
Rever a cadência
Quando não é bike fit
Inchaço, joelho que bloqueia ou falha, dor em repouso ou de noite, crepitação dolorosa ou trauma recente: procura um médico.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
Dor difusa em baixo nas costas que aparece ao fim de 1–2 h e te obriga a endireitar; alivia quando sais da bicicleta.
O que na posição costuma estar por trás
Guiador demasiado baixo: a lombar dobra mais e os músculos das costas cansam-se.
Alcance demasiado longo ao guiador, sobretudo combinado com um desnível grande.
Selim com o bico para cima, recuado ou alto de mais: a bacia senta-se ou balança.
Diferença de comprimento das pernas, quando a dor é só de um lado.
Pouca resistência dos músculos lombares: não é posição, mas limita o que a posição tolera.
O que o fitter costuma ajustar
Subir o guiador e/ou encurtar o avanço
Inclinar o bico do selim 1–3° para baixo
Recuar ou baixar o selim, conforme o caso
Corrigir assimetrias
Encaminhar para fisioterapia ou treino de força quando o problema é a tolerância
Quando não é bike fit
Dor que desce abaixo do joelho, dormência ou perda de força na perna, alterações urinárias, dor noturna, febre ou dor nova depois dos 50: procura um médico.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
Rigidez na nuca e na base do crânio, dor de cabeça no fim do treino, pior quando o capacete ou os óculos escorregam.
O que na posição costuma estar por trás
Guiador demasiado baixo: levantas mais a cabeça e a parte alta do pescoço fica em extensão.
Alcance longo, que estica os trapézios e obriga à mesma extensão.
Ombros encolhidos por guiador alto de mais ou manetes rodadas para cima (prática).
Capacete ou óculos que te obrigam a levantar mais a cabeça para ver a estrada.
Extensões de triatlo demasiado baixas.
O que o fitter costuma ajustar
Subir o guiador (espaçadores ou avanço com ângulo)
Encurtar o avanço
Rodar as manetes
Rever a posição nas extensões
Quando não é bike fit
Dormência ou fraqueza nos braços, tonturas, dor depois de uma queda ou uma dor de cabeça súbita e muito forte: procura um médico, com urgência no último caso.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
Mindinho e anelar dormentes e mão fraca a mudar de mudança; ou polegar, indicador e médio a formigar, pior de noite.
O que na posição costuma estar por trás
Demasiado peso nas mãos por alcance ou desnível excessivos, ou selim com o bico para baixo.
Punho em hiperextensão sobre as manetes: comprime o nervo cubital (mindinho e anelar).
Apoio prolongado na base da palma: comprime o nervo mediano (polegar, indicador e médio).
Não mudar de pega; luvas ou fita sem amortecimento.
No BTT, vibração e alavancas de travão mal posicionadas.
O que o fitter costuma ajustar
Redistribuir o peso: subir o guiador, encurtar o avanço, nivelar ou recuar o selim
Rodar as manetes para o punho ficar neutro
Guiador com menos alcance
Fita dupla ou luvas com gel
Variar as pegas
Quando não é bike fit
Dormência que não passa nas horas seguintes ao treino, fraqueza ou perda de massa muscular na mão, sintomas noturnos persistentes ou nos dois lados com dor no pescoço: procura um médico.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
Ficas dormente lá em baixo ao fim de 30–40 min e tens de te levantar; ou pressão e ardor à frente, inchaço de um lado.
O que na posição costuma estar por trás
Selim com o bico para cima, ou bacia a rodar para a frente num selim plano e estreito.
Guiador muito abaixo do selim: em mulheres associa-se a mais pressão perineal e menos sensibilidade.
Selim demasiado estreito, ou sem canal ou recorte para a tua anatomia.
Selim demasiado alto, com a bacia a bascular à procura do apoio (prática).
Calções ou forra inadequados.
O que o fitter costuma ajustar
Nivelar o selim ou inclinar o bico 1–3° para baixo
Subir o guiador
Escolher a largura pelo mapeamento de pressão e pela distância entre ísquios
Selim com recorte ou canal
Rever altura e recuo
Quando não é bike fit
Dormência que dura mais de 24 h, disfunção erétil persistente, sangue na urina, inchaço vulvar de um lado que não passa ou feridas que não cicatrizam: procura um médico.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
Rigidez e dor acima do calcanhar, pior de manhã e no início do treino.
O que na posição costuma estar por trás
Selim demasiado alto: o pé fica sempre em ponta e os gémeos nunca relaxam.
Cleats demasiado à frente: alavanca longa sobre o tornozelo.
Float excessivo ou cleats gastos e soltos, com o tornozelo a estabilizar (prática).
Aumento súbito de carga, subidas em pé ou corrida associada (triatletas).
O que o fitter costuma ajustar
Baixar o selim
Recuar os cleats
Reduzir o float ou substituir cleats gastos
Rever a técnica do tornozelo
Quando não é bike fit
Estalo com perda de força para pôr o pé em ponta, inchaço em fuso, dor em repouso ou toma recente de certos antibióticos (fluoroquinolonas): procura um médico.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
Cãibras nos gémeos ou isquiotibiais a três quartos do treino ou numa subida; gémeos muito carregados.
O que na posição costuma estar por trás
Fadiga neuromuscular: a hipótese dominante para cãibras no exercício, mais do que desidratação ou sais.
Selim demasiado alto: os gémeos trabalham alongados e em ponta (prática).
Cleats demasiado à frente: mais trabalho para os gémeos (prática).
Treino acima do habitual em intensidade ou duração.
O que o fitter costuma ajustar
Baixar o selim
Recuar os cleats
O resto é treino e ritmo
Quando não é bike fit
Cãibras frequentes em repouso ou de noite, fraqueza, ou gémeo inchado, dorido e quente de um só lado (suspeita de trombose, urgência): procura um médico.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
Dor ou ardor na frente da canela, sobretudo a puxar o pedal para cima ou em sprints.
O que na posição costuma estar por trás
Puxar demasiado na fase de subida do pedal, frequente no rolo e com cadência alta (prática).
Selim demasiado baixo: o pé fica com o calcanhar para baixo no fundo da pedalada (prática).
Fivela ou atacador muito apertado sobre o músculo da frente da canela (prática).
Sapatos novos com sola mais rígida (prática).
O que o fitter costuma ajustar
Subir o selim
Rever a técnica (puxar menos)
Fecho do sapato
Cleat ligeiramente mais atrás
Quando não é bike fit
Dor que aumenta e não alivia com repouso, formigueiro ou pé que cai, canela quente e tensa depois do esforço, ou dor óssea localizada: procura um médico.
Isto não é um diagnóstico. Dor persistente, inchaço ou dormência que não passa merece um médico.
A tabela inverte o mapa: parte do erro de posição e diz onde ele costuma aparecer. Serve para orientar, não para concluir. Uma dor só de um lado, seja onde for, faz pensar primeiro em assimetria.
Ecrã de simulaçãoMostra o percurso e os dados enquanto pedalas. Olhar em frente, como na estrada, ajuda a manter a posição natural.
Câmara 3D de frenteMontada por baixo do ecrã, vê o movimento dos joelhos de frente. É assim que se avalia se sobem e descem a direito.
Rolo KICKR CORERolo de transmissão direta: a roda de trás sai e a bicicleta encaixa aqui. Mede a potência durante toda a sessão.
Mesa de apoioFica ao lado do rolo, para ver e registar os dados sem saíres da bicicleta.
Palmilhas, cunhas e cleatsO que costuma ser preciso trocar durante a sessão está à mão: palmilhas, cunhas e cleats de vários sistemas.
Vista de frente, do lado da roda. O ecrã fica à altura dos olhos e a câmara por baixo.
1
Avaliação
A sessão começa por ouvir: onde dói, desde quando, em que momento do treino, de que lado. Depois mede-se o que não se vê a olho: mobilidade da anca e dos tornozelos, diferença de comprimento das pernas, apoio dos pés, distância entre ísquios. Só então se olha para a bicicleta.
2
Ajustes
Com a análise 3D a pedalar, os ângulos do joelho, da anca e do tronco medem-se em movimento, não com uma fórmula. Cada ajuste (altura e recuo do selim, cleats, largura do guiador, avanço) é feito um de cada vez e medido outra vez. O mapeamento de pressão do selim entra quando a queixa é no selim ou no períneo.
3
Reavaliação
Dor que vem de posição costuma mudar em poucas saídas. Por isso a sessão inclui acompanhamento: comparas as sensações com o que ficou registado na ficha e, se for preciso, afina-se. Quando a dor não muda com a posição, dizemos-te isso com clareza e encaminhamos para quem trata.
Fontes
Numeração do documento de investigação interno; só aparecem as fontes citadas nesta página. Livros e artigos sem versão em linha estão sem ligação.