
Altura do selim: a fórmula não chega
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Procuraste online como regular o selim, mediste o entrepernas, multiplicaste pelo coeficiente que toda a gente cita e ajustaste. Ou então foi o amigo que sempre pedalou que olhou para ti e disse que estava bom. Em qualquer dos casos, ficaste com um número que talvez funcione e talvez não, e sem forma de saber qual.
O que as fórmulas fazem bem e o que ignoram
Uma fórmula de altura do selim parte de uma ideia razoável: o comprimento da perna determina quanto o selim deve estar afastado do pedal. Como ponto de partida para uma bicicleta nova, ou para quem nunca ajustou nada, serve. É melhor do que um selim montado ao calhas.
O problema é tratá-la como resposta final. Uma fórmula usa uma ou duas medidas e assume que o resto do corpo e da bicicleta se comporta como a média. Ninguém é a média.
O que a fórmula ignora
O cleat e o sapato. A distância real entre o selim e o ponto de apoio do pé depende da espessura da sola, da posição do cleat e do tipo de pedal. Mudar de sapatos ou de pedais altera a altura efetiva sem tocares no selim.
O comprimento das bielas. A mesma altura do selim com bielas diferentes dá extensões de perna diferentes.
O recuo. Altura e recuo do selim influenciam-se mutuamente. Ao avançar ou recuar o selim, a distância ao pedal muda, e uma altura que estava boa deixa de estar.
A mobilidade e as assimetrias. Alguém com pouca flexibilidade nos isquiotibiais ou na anca pode precisar de uma altura diferente de alguém muito flexível, mesmo com pernas do mesmo tamanho. E quem tem uma perna ligeiramente mais curta ou mais fraca costuma compensar, o que a fórmula nunca vê.
O tipo de utilização. Uma bicicleta de estrada para ritmo contínuo, um BTT técnico e uma de contrarrelógio não pedem a mesma lógica. O artigo sobre BTT e gravel mostra como isto muda fora da estrada.
O selim em si. Dois selins com a mesma altura nominal podem ter alturas efetivas diferentes, por causa da espessura, do acolchoamento e do ponto onde te sentas.
- Altura do selim Do centro do pedaleiro ao topo do selim, ao longo do tubo. As fórmulas (0,883 × entrepernas, 109 % até ao eixo do pedal) falham em mais de metade das pessoas; no estúdio parte-se do ângulo do joelho a pedalar, 30–40° de flexão. Alto de mais, a bacia balança; baixo de mais, o joelho fecha demasiado.
- Recuo do selim Distância horizontal da ponta do selim à vertical do pedaleiro; mede-se com um fio de prumo. Mais recuo costuma aliviar a frente do joelho e pedir mais aos glúteos; menos recuo põe-te mais por cima do pedal.
- Alcance ao guiador Da ponta do selim ao centro do guiador, na horizontal. Resulta do quadro, do avanço e do recuo do selim. Mais alcance estende o tronco e carrega as mãos; menos fecha a anca e encolhe os ombros.
- Desnível selim/guiador Diferença de altura entre o topo do selim e o topo do guiador. Mais desnível é mais aerodinâmico mas exige flexibilidade da anca e das costas; menos desnível alivia o pescoço, os ombros e as mãos.
- Stack Altura vertical do centro do pedaleiro ao topo do tubo de direção. É a medida que diz quão alto consegues pôr o guiador sem espaçadores a mais. Compara o stack entre bicicletas, não só o tamanho.
- Reach Distância horizontal do pedaleiro ao topo do tubo de direção. É o comprimento real do quadro, independente do avanço e do selim. Dois quadros com o mesmo «tamanho» podem ter reach bem diferente.
- Comprimento da manivela Do eixo do pedaleiro ao eixo do pedal, 165–175 mm na maioria. Mais curta abre o ângulo da anca e do joelho no ponto morto superior; costuma ajudar quem tem a anca fechada ou dor no joelho.
- Posição das manetes Onde a mão assenta nos pousos: altura das manetes no guiador e o seu ângulo. Rodar as manetes muda o apoio do pulso e o alcance efetivo; a rotação do próprio guiador faz o mesmo.
Sinais de que a altura não está certa
Não precisas de uma câmara para desconfiar. Há padrões que se repetem:
- Selim demasiado baixo: o joelho dobra muito no ponto alto da pedalada, sentes carga à frente do joelho e as coxas queimam cedo.
- Selim demasiado alto: a bacia balança de um lado para o outro para chegar ao pedal, sentes tensão atrás do joelho ou na zona lombar, e o selim parece estar a escorregar-te para a frente.
- Desconforto no selim sem razão aparente: quando a perna se estica demais, o peso carrega mais na zona sensível.
São indícios, não diagnósticos. A dor no joelho, por exemplo, tem outras origens possíveis, e tratámo-las no artigo sobre dor no joelho.
Como se encontra a altura certa no estúdio
A altura do selim não se decide numa medição isolada, decide-se ao longo de várias etapas da sessão.
Na avaliação individual vemos a tua mobilidade e assimetrias, que definem a margem que tens. Na etapa de pé, sapato e cleat fixamos a interface com o pedal, porque só depois de o cleat estar bem é que a altura faz sentido. Depois, na avaliação em movimento 3D, pedalas na tua bicicleta no rolo e o sistema mede os ângulos principais durante a pedalada, incluindo a extensão da perna e o movimento da bacia. É aqui que se vê se o selim está alto, baixo ou na zona certa, porque o corpo em movimento mostra o que o corpo parado esconde.
Nos ajustes personalizados alteramos a altura em pequenos passos e, quando é preciso, também o recuo. Na reavaliação voltamos a medir, para confirmar que o resultado é melhor e não apenas diferente. Se mexer na altura obriga a mexer no recuo, ou a rever o guiador, fazemo-lo na mesma sessão, para que a posição fique coerente no todo.
Nas medições finais registamos a altura, o recuo e as restantes referências na ficha de medidas. Essa ficha vale ouro quando trocas de selim, de bicicleta ou de pedais, porque tens um ponto de partida real.
- A Altura do selimDo centro do pedaleiro ao topo do selim. — mm
- B Recuo do selimQuanto o selim fica atrás do eixo do pedaleiro. — mm
- C Distância selim–guiadorAlcance até ao guiador (reach). — mm
- D QuedaDiferença de altura entre selim e guiador (drop). — mm
- Inclinação do selimÂngulo do selim em relação à horizontal. — °
- Largura do guiadorMedida entre as manetes. — mm
- Posição dos cleatsAvanço, rotação e eventuais calços, por pé. — / —
- Comprimento da manivelaO que tens e o que recomendamos. — mm
Se vais mexer sozinho
Se não vais marcar uma sessão agora, algumas regras ajudam a não piorar as coisas:
- Altera uma coisa de cada vez e anota o valor antes de mexer.
- Faz alterações pequenas e dá-lhes algumas saídas antes de concluir.
- Marca a posição do tubo do selim com fita ou um traço, para poderes voltar atrás.
- Se mudaste a altura e o desconforto aumentou, volta ao valor anterior em vez de insistir.
Se sentes desconforto recorrente, se mudaste de equipamento ou se simplesmente queres saber se a tua posição é a certa, uma medição com análise em movimento dá-te uma resposta que a fórmula não consegue dar. Podes ver os valores na tabela de preços ou marcar a tua sessão e dizer-nos o que já tentaste.


