
Bike fit para BTT e gravel
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Pedalas em terra, em trilhos ou em estradas de gravilha, e a posição que te serviu numa bicicleta de estrada não parece funcionar aqui. Ou passaste a gravel depois de anos de estrada e trouxeste as mesmas medidas para uma bicicleta com outra geometria. Sentes o pescoço, as mãos ou a lombar, ou simplesmente não te sentes no controlo.
Porque é que não se copia a posição da estrada
Numa bicicleta de estrada, a posição é pensada para um piso regular: manter uma postura estável, aerodinâmica quando interessa, e aplicar força de forma contínua. Em BTT e gravel, o terreno muda a cada metro e a posição tem de servir três coisas ao mesmo tempo: pedalar com eficiência, controlar a bicicleta e absorver irregularidades sem que o corpo pague.
Isso significa que o ponto ideal é quase sempre um compromisso. Uma posição muito agressiva e esticada, que funcionaria bem na estrada, pode tirar-te margem de manobra numa descida técnica ou numa zona de pedra solta. Uma posição demasiado direita pode tirar-te força nas subidas. Não há resposta única, depende do que fazes com a bicicleta.
O que costuma mudar
Alcance e altura do guiador. Em BTT, o peso do corpo tem de poder deslocar-se para trás e para baixo nas descidas e para a frente nas subidas, com os braços e cotovelos com espaço para trabalhar. Em gravel, há muitas vezes mais de uma posição de mãos (nas manetes, nas descidas, nos apoios), e cada uma conta.
Selim. Em terreno irregular, a altura e o recuo têm de permitir pedalar sentado e, com frequência, sair do selim para passar obstáculos. Alguns ciclistas usam um selim telescópico em BTT, o que muda o raciocínio da altura máxima. O que funciona na estrada como valor fixo pode deixar de fazer sentido. O artigo sobre altura do selim explica o princípio.
Cleat e pedal. Em BTT e gravel o pedal e o sapato são diferentes, com sola mais rígida mas com espaço para andar a pé quando é preciso, e o cleat costuma ficar numa posição diferente da da estrada. Como o pé sai e entra muitas vezes, a facilidade de desengate pesa mais. Detalhámos o raciocínio geral no artigo sobre posição dos cleats.
Pneus, pressão e suspensão. Não são parte da posição, mas condicionam a forma como sentes as vibrações nas mãos e nas costas. Uma queixa que parece de posição pode ter origem numa pressão de pneus demasiado alta ou numa suspensão mal afinada.
- Altura do selim Do centro do pedaleiro ao topo do selim, ao longo do tubo. As fórmulas (0,883 × entrepernas, 109 % até ao eixo do pedal) falham em mais de metade das pessoas; no estúdio parte-se do ângulo do joelho a pedalar, 30–40° de flexão. Alto de mais, a bacia balança; baixo de mais, o joelho fecha demasiado.
- Recuo do selim Distância horizontal da ponta do selim à vertical do pedaleiro; mede-se com um fio de prumo. Mais recuo costuma aliviar a frente do joelho e pedir mais aos glúteos; menos recuo põe-te mais por cima do pedal.
- Alcance ao guiador Da ponta do selim ao centro do guiador, na horizontal. Resulta do quadro, do avanço e do recuo do selim. Mais alcance estende o tronco e carrega as mãos; menos fecha a anca e encolhe os ombros.
- Desnível selim/guiador Diferença de altura entre o topo do selim e o topo do guiador. Mais desnível é mais aerodinâmico mas exige flexibilidade da anca e das costas; menos desnível alivia o pescoço, os ombros e as mãos.
- Stack Altura vertical do centro do pedaleiro ao topo do tubo de direção. É a medida que diz quão alto consegues pôr o guiador sem espaçadores a mais. Compara o stack entre bicicletas, não só o tamanho.
- Reach Distância horizontal do pedaleiro ao topo do tubo de direção. É o comprimento real do quadro, independente do avanço e do selim. Dois quadros com o mesmo «tamanho» podem ter reach bem diferente.
- Comprimento da manivela Do eixo do pedaleiro ao eixo do pedal, 165–175 mm na maioria. Mais curta abre o ângulo da anca e do joelho no ponto morto superior; costuma ajudar quem tem a anca fechada ou dor no joelho.
- Posição das manetes Onde a mão assenta nos pousos: altura das manetes no guiador e o seu ângulo. Rodar as manetes muda o apoio do pulso e o alcance efetivo; a rotação do próprio guiador faz o mesmo.
Queixas que ouvimos mais fora da estrada
- Mãos e punhos doridos ou dormentes. As vibrações do terreno somam-se à carga no guiador. Falámos disso no artigo sobre dormência nas mãos e no selim.
- Lombar e pescoço. Muitas vezes de uma posição demasiado esticada ou de pouca mobilidade para ir à frente com conforto.
- Joelhos. O pedalar em subidas íngremes, com força a baixa cadência, carrega mais a articulação. O artigo sobre dor no joelho dá o quadro geral.
- Sensação de falta de controlo. Muitas vezes é o peso mal distribuído entre rodas, e não falta de técnica.
O que o bike fit faz de diferente
A estrutura da sessão é a mesma, porque o corpo é o mesmo, mas a aplicação muda. Começamos pela entrevista inicial, onde interessa saber que terreno fazes, quanto tempo, com que tipo de bicicleta e o que te incomoda. Dizer "faço BTT" é pouco: há quem faça maratonas, quem faça trilhos técnicos, quem use o gravel para viajar com bagagem.
Na avaliação individual vemos a tua mobilidade e assimetrias, que condicionam a postura. Na etapa de pé, sapato e cleat, validamos o calçado e o cleat para o tipo de pedal que usas. Na avaliação em movimento 3D, pedalas na tua bicicleta montada no rolo, o que dá uma boa referência da posição sentada e da eficiência da pedalada. É importante dizer com honestidade que o rolo não reproduz o terreno, e que a posição em pé, em descida ou em zona técnica tem de ser pensada com o que sabemos da tua utilização. Aqui conta a experiência de quem faz o ajuste.
Nos ajustes personalizados adaptamos o guiador, o selim e o cleat ao uso real, e na reavaliação confirmamos que a posição sentada está sólida. O acompanhamento de 2 meses tem aqui um papel prático: só depois de algumas saídas em terreno percebes se uma alteração funciona onde interessa, e podes dizer-nos o que sentiste.
Antes de marcar
Leva a bicicleta que usas, limpa, e os sapatos e pedais de sempre. Se tens mais de uma bicicleta (por exemplo, um BTT e uma de estrada), existe a opção de duas bicicletas na sessão, com os valores na tabela de preços. Também ajuda dizeres-nos o tipo de terreno e se tens alguma competição prevista.
Se pedalas fora da estrada e a posição ainda não te convence, podes marcar uma sessão e explicar-nos como e onde pedalas. O ajuste faz-se à volta disso.


