
Bike fit online, apps e IA: o que fazem bem
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Hoje consegues apontar o telemóvel à bicicleta no rolo, pedalar 15 segundos e receber uma análise da posição por menos de 35 dólares por ano. Há calculadoras grátis para a altura do selim, o comprimento da manivela e o tamanho do quadro. Mas convém saber o que estas ferramentas veem, e o que não conseguem ver.
O que existe
A app mais conhecida usa visão computacional sobre um vídeo 2D de 15 segundos, filmado de lado com a bicicleta no rolo, e devolve ângulos do joelho, da anca, do tronco e do cotovelo com sugestões de ajuste. Tem uma versão gratuita, uma a 35 dólares por ano e outra a 75, e desde julho de 2025 oferece uma revisão por fitters humanos. Entre isso e o estúdio há um mercado de fit remoto: análise de vídeo por um fitter, de 100 a 295 dólares, fit virtual por 120 libras, sessões de duas horas com acompanhamento por 600 dólares.
E há as calculadoras, as mais antigas de todas: fórmulas que convertem o entrepernas em altura de selim ou em comprimento de manivela. Nós também temos uma página de calculadoras, e dizemos nela o mesmo que dizemos aqui.
O que fazem bem
Ângulos de lado. Uma câmara de lado mede bem o ângulo do joelho no ponto mais baixo e o ângulo do tronco. Para alguém que nunca teve a posição vista por ninguém, descobrir que o joelho está a 50 graus de flexão quando devia andar nos 30 a 40 é informação valiosa, e corrige o erro mais grosseiro.
Ponto de partida. As fórmulas de altura do selim dão um intervalo razoável para quem está a montar a bicicleta pela primeira vez. Mas lê bem o que devolvem: para um entrepernas de 860 mm, as três fórmulas mais usadas dão entre 759 e 777 mm, quase dois centímetros de diferença entre elas, e a fórmula dos 109% deixou 63% das pessoas fora da faixa recomendada de ângulo do joelho num estudo. Uma variação de 5% na altura do selim altera a cinemática do joelho em 35%. O artigo sobre altura do selim explica porquê.
Acessibilidade. Quem vive longe de um estúdio, ou não tem 130 euros para gastar agora, tem uma primeira resposta. Os revisores independentes que testaram a app concordam que é útil como primeira verificação.
- 1Joelho
- 2Anca
- 3Tronco
- 4Cotovelo
- 5Tornozelo
O que a câmara do telemóvel não vê
Os mesmos revisores notam que um primeiro auto-fit deixa "mais perguntas do que respostas". Há razões concretas para isso.
A pressão no selim. Nenhuma câmara mede onde cai o teu peso no selim. A dormência perineal, as feridas de selim e boa parte da dor lombar ligam-se a picos de pressão que só uma manta de sensores mostra, e qualquer alteração de posição muda esse mapa. O artigo sobre mapeamento de pressão do selim explica o que se vê.
O pé. A inclinação do antepé, o arco, a posição do cleat em relação aos metatarsos, a largura de apoio dos pés. Cunhas, calços e largura de apoio não se calculam em casa, e a posição do pé explica grande parte da diferença entre uma medição parada e uma medição a pedalar.
A assimetria. Um vídeo de lado mostra um lado. Uma perna mais curta, uma bacia que cai para um lado, um joelho que entra para dentro só à direita, veem-se de frente e de trás, a pedalar com carga, e comparando os dois lados.
O método. Um estudo comparou goniómetro, inclinómetro e captura 3D no mesmo ciclista e concluiu que não são intercambiáveis: dão números diferentes para o mesmo joelho. Um ângulo de 2D de telemóvel, com a câmara ligeiramente fora de perpendicular e marcadores estimados, tem um erro próprio, e a app não te diz qual é. Explicamos isto no artigo sobre os números do bike fit.
O corpo fora da bicicleta. Mobilidade da anca, flexibilidade dos isquiotibiais, histórico de lesões, largura dos ísquios. É o que decide se o ângulo "ideal" da app é tolerável para ti, e nenhuma app o mede.
Quando chega
Uma app ou uma calculadora chega quando:
- Montaste a bicicleta pela primeira vez e queres uma altura de selim razoável para começar.
- Não tens dor nem dormência e queres só confirmar que nada está grosseiramente errado.
- Vives longe e queres uma primeira triagem antes de decidir se vale a pena a viagem.
Quando não chega
E não chega quando:
- Tens dor ou dormência que aparece a pedalar. A causa raramente está no ângulo que a câmara vê.
- A queixa é só de um lado.
- Vais comprar bicicleta ou trocar componentes caros, e precisas de números que se possam reproduzir.
- Já ajustaste "pela app" duas vezes e o problema voltou.
Os próprios revisores independentes concluem que o fit remoto é complemento, não substituto. Nós concordamos: quem experimenta uma app aprende a olhar para a própria posição, e chega ao estúdio com perguntas melhores.
O que fazemos de diferente
Na sessão, medimos o corpo fora da bicicleta na avaliação individual, tratamos do pé na etapa de pé, sapato e cleat, e vemos-te a pedalar de lado e de frente, com carga, na avaliação em movimento 3D. Com o mapeamento de pressão, vemos o selim por dentro. E no fim ficas com uma ficha de números e 2 meses de acompanhamento para afinar.
Se já fizeste um auto-fit e ficaste com perguntas, traz o relatório da app à sessão. É um bom ponto de partida para a conversa. Marca aqui.
Fontes
- MyVeloFit: planos e preços
- Triathlete: análise independente da MyVeloFit
- Cycling Weekly: fiz um bike fit com IA e um presencial, eis as diferenças
- Estudo 2017: goniómetro, inclinómetro e captura 3D não são intercambiáveis na medição do joelho
- Peveler, Pounders & Bishop 2007, JSCR: a fórmula dos 109% e o ângulo do joelho
- Fit Kit Systems: porque as fórmulas de altura do selim só levam até meio do caminho


