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Estúdio Bike Fit Lab com bicicleta de estrada no rolo KICKR, sobre tapete preto

Bike fit em e-bike: a posição também conta

· 5 min de leitura

"Mas eu nem faço força." É a frase que ouvimos quando alguém com uma e-bike pergunta se o bike fit faz sentido. Faz. A assistência muda a forma como pedalas, não o facto de estares sentado horas numa máquina com três pontos de contacto. E há razões para pensar que, em e-bike, alguns erros de posição duram mais tempo antes de se notarem.

Porque a posição ainda importa

Com motor, pedalas mais tempo sentado, a cadências mais baixas, e com menos razões para te levantares do selim. Isso carrega mais o selim e as mãos durante mais tempo, e deixa "congelar" pequenos erros de postura que, numa bicicleta convencional, corrigirias sem dar conta ao mudar de ritmo ou ao subir em pé. As velocidades médias são maiores, e com elas a vibração que chega às mãos e à bacia.

Convém dizer que a maior parte do que se escreve sobre posição em e-bike vem de blogues de marcas, não de estudos. O que fazemos é aplicar o que se sabe sobre posição em geral às características da e-bike, e medir a pessoa a pedalar como em qualquer outra bicicleta.

Postura vertical: cóccix e lombar

As e-bikes de cidade e de trekking põem-te quase sentado como numa cadeira. É confortável nos primeiros minutos e é a posição em que mais vezes vemos dor no cóccix. Quando a bacia roda para trás e o selim é largo e muito almofadado, o cóccix afunda e passa a tocar no selim. A dor aparece a pedalar e depois na cadeira do escritório.

A solução é contra-intuitiva: um selim mais plano e menos almofadado, em que os ísquios assentam no osso e o cóccix fica livre, inclinado ligeiramente para a frente, e um guiador um pouco mais baixo para transferir algum peso para a frente. Mais almofada agrava, porque o cóccix afunda mais. Explicamos a escolha de selim no artigo sobre largura do selim.

A lombar queixa-se pela razão inversa: numa posição muito vertical sem apoio nas mãos, a coluna recebe a vibração diretamente, e um selim com o bico para cima ou demasiado recuado faz a coluna compensar.

Ciclista de perfil com os ângulos medidos na análise 3D Desenho de um ciclista a pedalar numa bicicleta de estrada. Marcam-se os ângulos do joelho (que varia ao longo da pedalada, de 75 a 155 graus), da anca, do tronco, do cotovelo e do tornozelo, os pontos de contacto no pedal, selim e guiador, e seis pontos onde costuma surgir desconforto. 1 2 3 4 5
  1. 1Joelho
  2. 2Anca
  3. 3Tronco
  4. 4Cotovelo
  5. 5Tornozelo
Cinco ângulos medidos em movimento (o do joelho muda a cada volta), três pontos de contacto (pedal, selim e guiador) e os pontos onde o desconforto costuma aparecer. Toca num ponto para ver a causa habitual.

Peso nas mãos em guiadores altos e largos

Parece contraditório: se a posição é vertical, porque doem as mãos? Porque os guiadores de e-bike são muitas vezes altos, largos e com punhos virados para fora, e porque a velocidade traz mais vibração. Um guiador demasiado largo para os teus ombros põe os punhos em desvio, e os punhos em extensão sobre o guiador comprimem o nervo que passa pela base da palma. O resultado são o mindinho e o anelar dormentes, ou o polegar e o indicador a formigar.

Largura do guiador, rotação dos punhos e das alavancas de travão, e a distribuição de peso entre selim e mãos são os ajustes habituais. O artigo sobre dormência nas mãos descreve os dois padrões de dormência e o que distingue um do outro.

Joelho anterior em cadências baixas e arranques

O motor permite pedalar devagar com muito binário, sobretudo nos arranques e nas subidas em modo forte. Cadências baixas com muita força por pedalada aumentam a compressão à frente do joelho, e se o selim está baixo, como é frequente em e-bikes de cidade ajustadas "para chegar ao chão com o pé", o joelho dobra demais em cima e a carga sobe ainda mais.

Em e-bike, a altura do selim mede-se da mesma forma: pela extensão do joelho a pedalar, não pela facilidade de pôr o pé no chão. Um selim que te deixa pousar o pé inteiro parado é quase sempre demasiado baixo para pedalar. O artigo sobre dor no joelho separa as quatro zonas de dor e as suas causas.

E-BTT: geometria comprida, manivelas curtas

As e-BTT têm quadros compridos, guiadores largos e, muitas vezes, manivelas mais curtas de série para evitar bater nas pedras. Isso é bom para a anca: manivelas de 165 mm reduzem a flexão da anca e do joelho no topo da pedalada em comparação com 175, e quem tem a anca pouco móvel sente a diferença. O que convém verificar é a altura do selim, que sobe com a manivela mais curta, e a largura do guiador em relação aos ombros, que em BTT se escolhe mais pela disciplina do que pela altura. O artigo sobre bike fit em BTT e gravel trata do resto.

Selim de e-bike: largo não é confortável

A ideia de que uma e-bike pede um selim largo e fofo é a origem de muitas queixas. A largura escolhe-se pelos ísquios e pela inclinação do tronco: numa posição vertical soma-se até 4 cm à distância entre os ísquios, numa posição de trekking a 45 graus somam-se 2. O almofadado, como vimos, pode agravar. E a pressão sustentada, sem levantar do selim, é o que causa a dormência perineal, independentemente da bicicleta.

O que levar à sessão

Traz a e-bike com a bateria carregada, porque pedalas no rolo com assistência, como na estrada. Traz os sapatos que usas e os calções, se usares. E conta-nos como usas a bicicleta: a posição de quem faz 10 km de cidade por dia é diferente da de quem faz 80 km de trekking ao fim de semana. No mapa de sintomas encontras as regiões de que falámos aqui. Se alguma te soa familiar, marca uma sessão: o motor trata da subida, a posição é connosco.

Fontes

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